Escrever desse jeito é colocar a própria língua pra fora. Um ato desnecessário. No entanto, sei que os debates são essenciais para a elevação do espírito. E ainda assim, também sei que estou sã, na medida em que me sinto constrangida com um ato desnecessário, que é colocar a própria língua pra fora. Com a língua pra fora, penso que continua tudo aquilo q não está, que fugiu pela rua, q correu da cabeça. Como se estivesse aqui a água que preenche as fórmulas mágicas da felicidade, aqui nos meus dedos, nas voltas do l pro j. Das letras do teclado para a virtualidade[?] [...] Duvido, aliás, duvido muito. Escrevo pensando que duvido até do que escrevo e, mais ainda, das idéias particulares dos outros. O que não me desobriga colocar a língua pra fora e me constranger, porque ainda estou sã.
In: _______. Mais uma vez. 4ª ed. 2010
In: _______. Mais uma vez. 4ª ed. 2010

5 comentários:
"Colocar a própria língua pra fora" deve ser dever de todos, mas colocá-la no sentido positivo, da evolução das ideias, da construção do melhor e da paz, na ânsia de reafirmar aquilo que temos e pouco valorizamos: o poder da comunicação, o direito da fala e da 'voz ativa'.
Escrevo desse jeito sem a língua pra fora e penso estar são. Atirado à míngua dos meus descompassos literários. E vc me atige conflitando minha sanidade ambígua insuflando minha língua pra fora. E com a língua pra fora cato os sentidos do que escrevo como sapos catando vaga-lumes no brejo.
Acho que devemos sempre falar, principalmente se o que fala é algo cociente. Mas vejo pelo ponto de vista que temos dois ouvidos e não duas bocas.
Fantástico! Bravo!!!
Oi...vim novamente, de braços abertos, prestigiar seus textos. Mas parece que outros já disseram muito por nós, né? Saudade de seus textos... Sim, eu nunca mais os li. Perdi muito. Aqui estou humildemente.
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