Saíram pra passear, lá onde não sabem onde estão. Sentaram e tomaram uma cerveja. Aproveitaram a companhia um do outro, aquela cumplicidade que só existia com o silêncio. Quem são agora? Quem são ela e ele? Marina ficou confusa, a costumeira paranóia.Pediram a conta e subiram pro samba da esquina. Ainda havia tempo. Em dia de semana, não havia mesa. Algo que pouco lhe importava. Só não queria deixá-lo ir.
Dentro da casinha avermelhada, um chorinho romântico de partir o coração emabalava a dança de uma baiana sem sotaque. Uma baiana que divide com eles sua mesa. Uma baiana branca e loira de araque. Divide com Marina, num momento de socialização feminina, a forte pegada do rapaz de dread, com quem dança lindamente, pra lá e pra cá, com todo aquele cabelo loiro.
Marina achava lindo o jeito como dançavam. Encaixadinhos um no outro... Cobertos de suor, brilhavam.
Enquanto o choro lhe entrava na cabeça, Marina percebeu que lhe diziam algo - que ela não se lembraria, mas se lembraria dos sorrisos. Espiou. Temeu ficar presa àquela atmosfera, àquela manhã; eles se convertendo nas histórias que escreviam, dançando na cozinha e pintando as paredes de azul, criando a impressão de continuidade com o céu.

6 comentários:
muito bom!!!
por que não tá atualizando mais?
uma pena.
nossa! nem tinha pensado por esse lado. mas fez muito sentido, talvez seja isso... também... mesmo sem querer
Olá Raquel,
"Marina" recria o céu aqui na terra através das tuas palavras.
Bjs
Carlos Eduardo
Marina é um pedaço de todos nós (paranoico, meigo, amável)
lindo
lindo também
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