quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

karma

Os krenak sempre lutaram e sempre foram vítimas do governo colonial. O cocar pendurado na sala nos impõe a tradição. Sempre obrigados a se deslocar, a sair de seu lugar de origem. Por lei, um bom pedaço da Mata Atlântica, no Baixo Recôncavo Baiano, seria meu, mas não o tendo, somente sigo o meu Karma. A Bisa tinha botoques nos lábios e nas orelhas, mas a Vó não. Fora da comunidade as tradições já não eram fortes nela. Por isso a Vó não recebeu os enfeites. O que não a livrou dos presságios de morte. Ela sempre sabia. Até de sua própria morte. E quando ela morreu, levou os espíritos guerreiros que a atormentavam e as histórias das indiazinhas desobedientes. A Vó falava um pouco o Borun. Talvez estivesse ali um segredo. Ininteligível.

3 comentários:

Sundeep disse...

Muito bem escrito.

Lua disse...

FOtografia do Araquém Alcântara!

O Garcia do Outeiro disse...

É mesmo a hora dos povos da terra perante o capitalismo e a barbárie. A história colonial é a história dum genocídio de milhons de americanos por parte de nós, os europeus que seguimos escrevendo com sangue e os nossos excrementos a triste história da humanidade.