domingo, 25 de outubro de 2009


Marina acredita que não esteja morta. É fato, no entanto, que não está mais na Terra. Onde ela está, no momento, só descobriu pouco tempo atrás. Marina divide a opinião com Mounsieur Verdoux, de que só existirá algum conhecimento do próprio sujeito quando for possível medir o que se diz e expressar isso em número$. Essa constitui a única realidade na dimensão em que se encontra.

Mounsieur deve pensar agora que ela esteja morta. É possível que ela esteja morta. As pessoas morrem de várias formas, mas no caso de Marina, trata-se de um deslocamento, no tempo e no que constitui a realidade da alma...

Até o momento, ela soube estar em qualquer outro lugar que não na Terra, da mesma forma que sabe que o quartzo situa-se em algum lugar no reino da dureza, menos honroso que o rubi, e este menos que qualquer uma das mais de 32 dobras do diamante – mais numerosas que os dentes humanos, mesmo se contarmos os dentes do siso.

Ela também sabe estar latente numa prosa obscura. Da mesma forma que sabe que o barro substitui o concreto, por suas funções de fraqueza, e este situa-se em um lugar menos honroso que o zircão – a imitação do diamante – e este ocupa lugar inferior às 32 camadas da carne que envolvem a alma.

De certa forma ela está em outro lugar, em termos de data ou posição. Antes ou de lado, dentro ou mais perto, uma coisa assim. Ela está no lugar onde se encontra a si mesmo depois de se ter deixado o tempo e o espaço: o infinito eterno.

Era natural que depois de ter perdido, mais uma vez, a companhia do outro animal da espécie, a carapaça metálica, a sociedade de merda e Monsieur Verdoux, além dos seus sentidos e aqueles dois aspectos do pensamento kantiano, ela devesse sofrer a mesma angústia do isolamento de uma molécula residual situada a vários centímetros das outras, em um bom vácuo.

Ser mensurável por um meio de medição, por um centímetro único, pensou... _E as batidas do meu coração e os quilos de carne do meu corpo terrestre, estas coisas pelas quais eu tenho dado a minha alma - essas commodities –?

domingo, 11 de outubro de 2009

Diário,

O trabalho de campo foi árduo. Ninguém foi arrebanhado, mas muitas revistas foram vendidas. Muitas delas, sem ao menos constar o meu nome para que a Torre - uma espécie de uma fábrica dos sonhos, com música, roupas de linho, cabelos com presilhas, sapatilhas e garotos sardentos fiéis à palavra - soubesse do meu poder de persuasão. Ninguém foi arrebanhado, mas isso não quer dizer que não houveram tentativas. A comunidade, no entanto, é muito fechada para aceitar alguém do mundo ou esconder o nojo pelo povo do mundo. O povo do mundo tem pecados, toma sangue, o povo da congregação tem assassinatos nas costas, vários segredos. Nós eramos uma ilha, a congregação. É o tipo da coisa que não sai no jornal, porque os jornalistas têm que exercer a visão de 180°, como as máquinas, e quantificar em números o que sai de seu pensamento e é posto em palavras. Parece que o positivismo nunca será superado nessa redação.
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O hipertexto. Ao invés de esquece-lo eu o glorifico com um texto, assim como faço com todas as coisas que me matam, que matam o meu gosto pelas coisas. "Ela é engraçada... diz que não gosta das redes sociais, mas todo dia nos conta sobre uma novidade", diz Flávia. Uma espécie de masoquismo? blog, orkut, twitter, facebook... não existem mais segredos entre nós, amigos? Não temos mais mistérios, irmão? Ano de 2009. Não existe uma monografia que não aborde a convergência. Me sinto culpada como pesquisadora, mas o meu ódio me impede de tocar no assunto... se pudesse apertar um botão vermelho e explodir com tudo isso, eu faria.
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Tem uma agulha fina no meu peito, ligada aos meus orifícios auditivos, me forçando a ouvir o sino da morte incorporado ao canto dos pássaros. Para a poesia isso pode ser útil, para as 26h de estudo e trabalho, não.

sábado, 3 de outubro de 2009

imaginaquemesmolongeeuaindaouçoastrombetascomonoscânticosdedomingoassetetrombetas,nossetecantosdomundo,seguradaspelosseteanjosdeDeus.imaginaqueaindaouçoessaparadageralmentedemanhã.maseucontinuonoprotesto.nãocortooleitenoladoindicadopelalinhapontilhada.nãosigopadrõesdecalçada.noentanto,meadaptei,decertaforma,aopovodomundo.escrevotextosbaseadosempsicopatasbrilhantes,colocoomeuumbigonocentrodomundo,essascoisas.eunomeiodeles,meadaptando.melembroqueeleseramopovodomundo,agorameupovo,eusofropelacausadeles.
Alice na duplicação da Antônio Carlos

sábado, 5 de setembro de 2009

Lagoinha

domingo, 19 de julho de 2009

Coisa do acaso

Tarde de sexta-feira, primavera, céu azul e muito calor. A vida seguia como sempre, sem correria, sem atropelos, o saudoso começo dos anos 2000. Lembro que nesse dia precisei passar na biblioteca pública para entregar um livro de biologia. Eu não sei como, mas consegui perder três vezes o meu ônibus . Tudo bem, a biblioteca só fecharia às 20h. Cheguei no centro, passei pela Rio de Janeiro e subi a Guajajáras. É um caminho que eu sempre fiz, não sei porquê. Existem outros até mais práticos.

Entre a Guajajáras e a Espírito Santo senti alguém me olhando. Era a Claudinha! Amiga de longa data e, naquela época, assídua frequentadora da biblioteca da praça.
_Eae menina!
_Sumida! Beleza?
_Beleza.
_Tá perdida? Ou... deixa eu adivinhar...vai na biblioteca?

Terminamos a Guajajáras. Claudinha sempre tinha ótimas dicas de livros. Me indicou a Marguerite Duras dessa vez. Na época ela estudava história na ufmg. Subimos a Bahia, ela falando do seu curso e das possibilidades para a pesquisa paleontológica.
_Então, você não quer ser professora?
_Não, isso não dá dinheiro.
_E pesquisa dá?
_Sim, mais que lecionar.

Chegamos na biblioteca, entreguei o livro e peguei "Olhos azuis, cabelos pretos" da Marguerite e Claudinha pegou alguma coisa do Almodóvar. Então descemos a Bahia. Claudinha teve a ótima idéia de tomar umas no Café Cultura, um bar bem pequeno, com fotos interessantes da cidade e algumas mesas do lado de fora. Beleza, era só continuar nosso caminho.

Sentamos e conversamos sobre política, literatura, cachorros e natureza. E enquanto eu falava sobre a delicadeza dos biomas brasileiros um coco despencou na cabeça de um cara bem atrás de nós, mais especificamente, atrás de mim. Tuc! Foi esse o som, como se o coco e a cabeça estivessem ocos. Bem na hora o sinal de trânsito fechou e deu pra perceber os motoristas assistindo a cena. O coco rolou pela rua como se saísse à francesa da situação.

Todos nas mesas ficaram abismados com a pancada que o cara levou e morrendo de medo de levar uma também. O garçom chegou com o grito do homem que ainda nem sabia pelo quê tinha sido atingido. Perguntou se estava tudo bem e o homem, acompanhado de um amigo, não respondeu. Parecia mais anestesiado pela bebida que pela bordoada que acabara de levar. Eu realmente nunca tinha percebido um coqueiro ali, tudo bem pra mim, desde que pessoas não morram por isso.

Nessa hora precisava me conter pra não rir e ainda tinha a cara de susto da Claudinha. Foi difícil segurar. É uma coisa que eu tenho, sempre rio da desgraça alheia. Terminei a bebida num gole pra acalmar. Neste momento não teve como não pensar nos planos do acaso. Quando chegamos no café, esses caras chegaram segundos antes de nós e pegaram minha mesa favorita, nem na esquina, nem tão longe do café. Acabamos ficando na esquina. Só por isso eu não levei uma cocada na cabeça.

terça-feira, 7 de julho de 2009


Às vezes dá vontade, sabe? Escrever assim, do nada. Eu posso dizer que ela sente, mas é óbvio que sou eu. É um vínculo idiota esse com a impessoalidade. Ela pensa, ela sente. Essa pessoa ou aquela pessoa ou ela ou qualquer coisa impessoal pensa, sente assim: o grande escuro circular, mas não-redondo, um oval bem puxado dos lados; azul-escuro, lógico; os planetas; as linhas; as estrelas; sem Deus e uma moldura. Se você pensa o universo, você pensa também na moldura. Tira a moldura e você fica louco. Porque no espaço sideral tudo está muito longe, e nem por isso ela não está lá. Elacêntrica pensa no universo ou num pudim de pedra de peso descomunal. [Quem segura ela?].

domingo, 10 de maio de 2009

belo horizonte

sábado, 2 de maio de 2009

Sobre o amor


Muros e viadutos. Rua da Consolação, Avenida Sumaré, Rua Augusta, Pedroso de Morais e muitos outros lugares de São Paulo.

O poeta paulistano
lembra à metrópole
que o amor é importante.

Sucinta,
de objetividade jornalística,
a frase ecoa pela cidade,
muda no concreto

a poesia abstrata tem muito a dizer
do anônimo
um desabafo?
Sentimento de rejeição?
Indignação?
Desilusão?
Estaria bêbado?

Tantas interpretações possíveis
Vandalismo?
Expressão artística?
O jornal cogita um golpe publicitário
e Grosseria descabida

No muro da Consolação
Jogaram tinta sobre a pichação
insistente
e com a mesma grafia
o poeta reescreve
toda vez que alguém apaga.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Cartaz banido em Paris = publicidade indireta ao cigarro = "unhealthy and inappropriate"