
Marina acredita que não esteja morta. É fato, no entanto, que não está mais na Terra. Onde ela está, no momento, só descobriu pouco tempo atrás. Marina divide a opinião com Mounsieur Verdoux, de que só existirá algum conhecimento do próprio sujeito quando for possível medir o que se diz e expressar isso em número$. Essa constitui a única realidade na dimensão em que se encontra.
Mounsieur deve pensar agora que ela esteja morta. É possível que ela esteja morta. As pessoas morrem de várias formas, mas no caso de Marina, trata-se de um deslocamento, no tempo e no que constitui a realidade da alma...
Até o momento, ela soube estar em qualquer outro lugar que não na Terra, da mesma forma que sabe que o quartzo situa-se em algum lugar no reino da dureza, menos honroso que o rubi, e este menos que qualquer uma das mais de 32 dobras do diamante – mais numerosas que os dentes humanos, mesmo se contarmos os dentes do siso.
Ela também sabe estar latente numa prosa obscura. Da mesma forma que sabe que o barro substitui o concreto, por suas funções de fraqueza, e este situa-se em um lugar menos honroso que o zircão – a imitação do diamante – e este ocupa lugar inferior às 32 camadas da carne que envolvem a alma.
De certa forma ela está em outro lugar, em termos de data ou posição. Antes ou de lado, dentro ou mais perto, uma coisa assim. Ela está no lugar onde se encontra a si mesmo depois de se ter deixado o tempo e o espaço: o infinito eterno.
Era natural que depois de ter perdido, mais uma vez, a companhia do outro animal da espécie, a carapaça metálica, a sociedade de merda e Monsieur Verdoux, além dos seus sentidos e aqueles dois aspectos do pensamento kantiano, ela devesse sofrer a mesma angústia do isolamento de uma molécula residual situada a vários centímetros das outras, em um bom vácuo.
Ser mensurável por um meio de medição, por um centímetro único, pensou... _E as batidas do meu coração e os quilos de carne do meu corpo terrestre, estas coisas pelas quais eu tenho dado a minha alma - essas commodities –?
De certa forma ela está em outro lugar, em termos de data ou posição. Antes ou de lado, dentro ou mais perto, uma coisa assim. Ela está no lugar onde se encontra a si mesmo depois de se ter deixado o tempo e o espaço: o infinito eterno.
Era natural que depois de ter perdido, mais uma vez, a companhia do outro animal da espécie, a carapaça metálica, a sociedade de merda e Monsieur Verdoux, além dos seus sentidos e aqueles dois aspectos do pensamento kantiano, ela devesse sofrer a mesma angústia do isolamento de uma molécula residual situada a vários centímetros das outras, em um bom vácuo.
Ser mensurável por um meio de medição, por um centímetro único, pensou... _E as batidas do meu coração e os quilos de carne do meu corpo terrestre, estas coisas pelas quais eu tenho dado a minha alma - essas commodities –?










